quarta-feira, janeiro 17, 2007

Restolho

Geme o restolho, triste e solitário
A embalar a noite escura e fria
a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário
Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
para receber daquilo que aumenta o coração

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não...

Mafalda Veiga

1 comentário:

Anónimo disse...

Por vezes é necessário...

Há que penar para aprender a viver
a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
para receber daquilo que aumenta o coração...

EDU