sábado, dezembro 16, 2006





Amor...

Minha alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida
!“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
”Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros
:“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!…”


Florbela Espanca

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